Não, não está tudo bem !

A correria em que vivemos, embora mais pausada há já alguns meses, impede-nos de olhar. Muitas vezes de ver, o que está à vista. Talvez, não muito observável. Mas de alguma maneira, escondida no sorriso e na boa disposição com que presenteamos as pessoas que nos são próximas. As da família. As do trabalho. Aquelas que são amigas e que tudo julgam saber sobre nós.

Mas não sabem. Porque nunca ninguém sabe tudo sobre nós. Sabe algo, eventualmente. O que contamos. Aliás, o que fazemos questão de contar. De mostrar. Porque é muito fácil ver sorrisos na cara, quando há dor no coração. O ser humano tem esta capacidade egoísta de carregar sozinho os medos. Os monstros. As dúvidas que chegam de madrugada e nos impedem de dormir a noite inteira.  E fingir que está tudo bem.

Não, não está tudo bem. Parece, mas não está. E temos todo o direito de não estar. Nem há vergonha nenhuma em assumi-lo. Não deveria haver. Porque não somos mais fracos por isso. Não temos de estar sempre bem. Por mais, que o sol nasça todos os dias e que queiramos deixar para trás a escuridão que envolveu a nossa cabeça e nos fez duvidar da nossa própria existência. Não faz mal, se hoje nos apetece chorar. Se ficar em silêncio é a única forma de conseguirmos encontrar respostas.

Fica em silêncio o tempo que precisares. Mas fala. Por favor. Às vezes temos uma dificuldade enorme de ver para lá da capa. Porque é mais fácil apontar-te os erros. Julgar-te. E não saber da tua história. Das tuas lágrimas. Da tua dor. Porque nunca, quase nunca ousamos colocar-nos no teu lugar. Quando tantas vezes o deveríamos fazer. Ter feito. Ter dito. O que sentimos. Cá dentro. Por nós. E pelos outros. E nestas linhas todas, o que fica por dizer é sempre o que custa mais, porque já não houve oportunidade. E é neste preciso momento que nos arrependemos. Porque nunca acreditamos que chega a última vez. Mas chega. Sempre chega, e às vezes da maneira mais absurda possível. É por isso que um abraço cura. E quantas vezes não o adiaste? É por isso que um “gosto de ti”, reconforta. E quantas vezes não o disseste? É por isso que um “sinto a tua falta” deixa o coração mais quente. E quantas vezes o negaste?

É por isso que fingimos sorrisos para fugirmos às perguntas. Mas faz. Por mais que não entendas. Porque mais que achasses que está tudo bem. Cuida. Importa-te. Somos flores com emoções e é preciso cuidar delas. É realmente preciso e cada vez mais. Gosta de ti, porque eu também gosto. De ti. E se estás a ler isto, quero dizer-te que estou aqui. Pronta, a abraçar-te quantas vezes quiseres. Porque vai ficar tudo bem. Por mais que queiras ir embora, sem saber por onde ir. Eu faço as malas e vou contigo. Só não desistas. A vida precisa da tua alegria. Isto serve para todos. Cuidem-se. Porque sozinhos somos muito pouco.

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