O racismo aqui não tem lugar |

Não consigo respirar. Eu que nunca vou saber o que é ser discriminada pela minha cor de pele. Que nunca vou saber o que é estar em algum lugar e sentir que as pessoas não vão querer sentar-se ao meu lado, pela minha cor. Eu que nunca vou saber o que é começar a corrida sempre em último lugar. E ter de correr mais do que todos os outros. Ter de lutar mais do que todos os outros. Os outros, que nascem humanos, mas que a sociedade estupidamente lhes atribui rótulos. Tu és preto. Tu és branco. E a guerra começa aqui. Quando na pele, pela sua cor, sentes o medo, o preconceito e a injustiça.

Como é que a cor da pele pode perturbar alguém? É aqui que me começa a faltar o ar. E é triste, como em pleno século XXI, o racismo é muito mais real. Muito mais brutal. Muito mais desumano. A luta não é só de agora, mas parece que hoje estamos a parar para ver o mundo como ele realmente é. Enquanto assistimos a um dos maiores vírus da história em circulação. E aqui alimento a dúvida sobre qual é o pior dos venenos.

O mundo está urgente pela nossa voz. Pela necessidade de nos fazermos ouvir. E se hoje, nos vestimos de negro, então que tudo o que estiver ao nosso alcance sirva de palco para não nos calarmos mais. Para aprendermos, de uma vez por todas, que a cor da pele não define uma pessoa. Que as dificuldades da nossa vida em nada deveriam ter a ver com a nossa cor. Que os privilégios não nos deveriam acompanhar só porque somos brancos. Porque privilégio é saber que nenhuma dificuldade da vida teve a ver com a cor da tua pele. E que ninguém nasce a odiar o outro pela sua cor. E é aqui que a sociedade se tornará justa, se ao invés de aprendermos a odiar, soubermos aprender a amar. O outro. Que é igual a nós.  

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