Mal-me-quer |

Sobre ser uma pessoa fria, a história é longa e começa com arrepios na barriga. Começa com um sorriso rasgado na cara e o detalhe de uma mensagem bonita que chega de madrugada. E acordar, de manhã, nunca fez tanto sentido como acontecia ao teu lado. Na ausência, eram essas saudades escritas que tornavam a distância um pouco mais possível de suportar. E durou bastante até perceber que um ama sempre mais do que outro. E quem dera que não fosse eu.

Mas era. Gostava de ti, mais do que me era permitido pelas palavras. Imaginei-te, muitas vezes, nas rotinas dos meus dias. A fazeres parte das minhas decisões e a seres o suporte maior das minhas escolhas. Foste sempre tu, mesmo quando já não havia mais tinta para pintar. Faltou a tela e todos os materiais, aos poucos, começaram a desaparecer. Não sei, exatamente, o momento em que deixaste de sentir calor e te faltaram forças para lutar pelo que sabias que poderia ser para sempre. Mas acontece.

Às vezes fazemos a escolha errada com a pessoa certa. Porque a temos na palma da mão. E o maior erro é quando damos algo por garantido. Porque as coisas mudam e não acontecem como a gente quer, nem como a gente não quer. Porque há mudanças que não pedem a nossa opinião. Deixamos de controlar e começamos a aprender sobre as voltas que a vida dá. E de repente, encontras o teu amor a amar outra pessoa. Fazes ideia do que isso dói? Tornas-te num estranho para a pessoa que te despiu. A roupa. E a alma. Mas de repente, a história muda. Deixas-te de surpreender porque quando te importas com as pessoas sabes que magoar-te vem muitas vezes no pacote. Mas aprendes a olhar para trás e deixar de te importar com quem lá ficou. Porque quem mal te quis, assim te perdeu!

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