Amor em tempos de guerra |

Vivemos tempos difíceis. A guerra instalou-se e o amor está a custar a sentir-se. As perguntas, as minhas questões continuam: Onde está o amor agora, quando mais dele se precisa? Onde está a preocupação, o carinho e todas as outras formas de amar?

Estamos a viver uma guerra e para ganhá-la temos todos uma arma em comum: ficar em casa. Ficar em casa, quanto mais não seja por amor. Àqueles que amamos e que não queremos pôr as suas vidas em risco. Àqueles que amamos e que preferimos continuar a tê-los por perto, mesmo que não seja possível por agora. Àqueles que amamos e que daríamos a vida por eles, se fosse preciso.

E é preciso. Agora é preciso dar a vida. Sacrificá-la, pelo menos. Quebrar as rotinas. Ou mantê-las, mas das portas de nossa casa para dentro. Tem de ser.  Porque para se pôr fim a uma guerra, é preciso vê-la de perto. Estamos a vê-la e a vivê-la. E em matéria de guerra, todas as armas machucam. Em matéria de amor também. É por isso que é preciso doer agora para não doer nunca mais. É por isso que o nosso campo de batalha é da janela. Só assim é possível. Por uma questão de sobrevivência. Da nossa e dos que amamos.  Porque não precisamos de mais problemas. Precisamos de amor. Faz amor e não alimentes a guerra. Não sejas mais um a lutar contra ti próprio. A lutar contra a própria vida dos teus. Ajuda, quem tudo faz e está a fazer, noite e dia, para que esta peça termine com aplausos. De todos nós. Não só às janelas, mas nas ruas. Que possamos ao fim de tudo isto, encher novamente as ruas de orgulho, de coração cheio por termos lutado pelos nossos. Pela nossa pátria, como se canta n’A Portuguesa’.

Agora faremos o que a cada um de nós, nos é exigido. O que a cada um de nós, nos compete. Para vivermos para lutar mais um dia. Ou os dias que forem precisos. Os necessários para que tudo corra bem. Porque em tempos de guerra só amor é capaz de vencer.

Captura de ecrã 2020-03-16, às 22.03.22

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