Para 2019 |

Diferente dos anos anteriores, não fiz uma lista. Pedi os doze desejos na mesma e penso até que os repeti. Porque não peço muito. Pedir a quem? Que a tradição se mantenha, sim. Agora acreditar que se realiza cada desejo que se pede às passas que comemos é um disparate. Mas fazemos. E eu também. E contei pelos dedos das mãos, um por um, os desejos todos a que tinha direito. E temos direito a doze. E a muitos mais. Na verdade, temos direito a pedir os desejos todos que queremos.

E como faço todos os anos, pedi para mim. Para ti. E para os meus. E, afinal, pedi muito. Desejei de olhos fechados, coragem. Para me fazer feliz. Para te fazer feliz. E aos que me rodeiam também. Desejei coragem. Para que nunca fique nada por dizer. Para que nunca tenhas medo de dizeres o que pensas. Para que nunca tenham problemas de dizerem o que sentem. Por quem sentem. É importante. Ter coragem. Para não desistir. Para não deixar a pessoa ir embora. Sem saber. Na dúvida. Do que poderia ter sido. Se fosse dito. Se fosse falado. Confessado. Quem sabe, fosse recíproco. E por isso é importante. Ter coragem. Para arriscares. Para saberes a outra parte. Que pode muito bem não sentir como tu. Mas ficas a saber. E é preciso coragem para não viver na ignorância. E é por isso que a desejo. Mesmo que não gostes. Mesmo que a resposta não seja a que queiras ouvir. Mesmo que doa. Coragem. Para te manteres de pé. De coração mais esperto. E de cabeça no lugar.

E com a certeza de que vai dar tudo certo. Desejei, de olhos fechados. Coragem. Para acreditares que mereces muito mais. Para acreditares que és bem capaz de fazer tudo o que quiseres. Coragem. Para ignorares os outros. Que aquilo que eles pensam é problema da puta que os pariu. Silêncio. Para os deixares calados. Para dares a melhor resposta. Para dizeres pouco. E dizeres tudo. Paciência. Para que nunca se esgote a pouca que tens. Calma. Para suportares os dias cinzentos. E as pessoas estúpidas.

Desejei calma, para o que aí vem. Para o que a vida decidir trazer. Para aguentares o frio. Seja ele de que tipo for. O do tempo. Ou o da barriga. Arrepia-te. Respira fundo. Não sintas borboletas. Sente o zoológico todo se for preciso. E cativa. Importa-te. Conquista. Reconquista. As vezes que forem precisas. E liga. Se quiseres conversar. Se tiveres saudades. Atende. Para saber se está tudo bem. Aguenta a voz. E os desejos.

E desejei prazeres. Todos. E de todos os tipos também. Viaja. Vai conhecer lugares novos. E pessoas. Das que te aquecem o coração. E das que têm o abraço apertadinho. Lê um livro novo. Adormece com ele à cabeceira e de fones nos ouvidos. Acorda. Toma um banho. Canta no chuveiro. Come as porcarias que te apetecer. Bebe com os teus amigos. Cura a ressaca se for preciso. Sai de fato-de-treino e de cabelo despenteado. Regressa a casa. E faz amor. Acredita nele. Aproveita o toque. E não falhes nenhuma parte do corpo. Grita se for preciso. Que se lixem os vizinhos. Se baterem à porta, diz-lhes que estás só a ser feliz. Fecha a porta. E continua. Não te esqueças de nenhum detalhe. Nem de curva nenhuma.

E desejei para mim. Para ti. E para os meus. Que este seja um ano. De tempo. Para realizares cada linha do que aqui ficou escrito. E desejei, e desejo, que cada um destes parágrafos se cumpra. Boa sorte. Para ti. Para mim. Para os meus. Que não façamos tudo, mas que sejamos felizes a fazer tudo o que pudermos. E pudemos tudo. Acredita. Coragem. E bom ano.

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