Filho da puta

Não sei por que palavras poderia nomear-te, ou quais os adjetivos que podia escolher para te descrever. Sinceramente, também não perdi muito tempo. És um filho da puta e chegam estas três palavras para te definir.

És um filho da puta por teres levado parte de mim. Ninguém te chamou, ninguém te convidou e mesmo assim vieste. De mansinho. Sem avisar. Mas afinal que autoridade tens tu para entrares assim na vida das pessoas? Que espécie de poder é que te concederam para seres capaz de me fazer sofrer? A mim, e à minha família? Não sei quem te fez nascer ou quem te inventou. Mas gostava que tivesses corpo para te poder tratar da saúde. Já que a tua atividade preferida é tratar da saúde dos outros.

És um filho da puta que não merece respeito nenhum. Alimentaste das forças das pessoas. Da sua sanidade mental. Da sua forma física. Mas que espécie de criatura és tu, afinal? Existes porquê? Se nunca ninguém te disse, deixa que seja eu a primeira a dizer-te que ninguém gosta de ti. Ninguém te grama. Ninguém gosta da tua presença. Quando vens, tudo o que mais queremos é que te vás embora. O mais rápido possivel.

És um filho da puta que ninguém sente falta. E, por isso, nunca vou perceber porque chegas. Porque te alastras no corpo das pessoas sem pedires autorização e lhes causas dor. E as fazes sofrer. A elas e a nós. Que estamos ao seu lado a vê-las ir embora, contigo.

E o pior é que escolhes. O pior é que parece mesmo que escolhes as pessoas a quem queres fazer mal. A quem fazes mal. Às melhores pessoas. Às que não merecem mesmo nada levar com o teu ‘feitio’. Na verdade, ninguém merece. Mas tu escolhes as melhores pessoas. Porquê? Porque são essas que te dão luta? É com essas que tu fazes as tuas melhores guerras? És um filho da puta que não vale nada.

E as pessoas vão contigo. Depois de tanta luta, de tanto sofrimento. Ganhas na mesma. Nem sempre. Mas desta vez, ganhaste. A guerra que travaste com o meu avô foi vencida por ti. E eu isso não te consigo perdoar. Por teres levado contigo das melhores pessoas que este mundo viu nascer. Por teres levado contigo um coração bom. Dos melhores, arrisco dizer, que alguma vez existirão. Não te vou perdoar por teres levado contigo quem não devia ir. E do jeito que levaste. Foste horrivel. Por teres levado o homem a quem pedia todos os dias a benção. Por teres levado o homem que mandava sempre beijinhos às minhas amigas sempre que me ligava. E ligava todos os dias. Falava com ele todos os dias.  Todos. E por causa de ti, hoje não falo mais. Não consigo ouvir mais a voz que me acalmava a alma. E tudo, por causa de ti. Por seres um filho da puta sem consciência.  Sem noção do mal que provocas. E do terror que espalhas.

És um osso duro de roer, a quem a vida ou o mundo ou a ciência se encarregou de chamar de cancro.  Eu cá encarrego-me de superar os estragos que causaste. E a ultrapassar a vontade que tenho de acabar contigo. De vez!

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